Da homologação documental ao controlo de acessos

Da homologação documental ao controlo de acessos

Quando a conformidade documental tem uma consequência operacional

A Gestão Documental de prestadores de serviços não tem de terminar na aprovação de um documento.

Em determinados contextos industriais, a informação resultante da análise documental é necessária para tomar decisões operacionais: perceber se uma empresa está homologada, se um trabalhador cumpre os requisitos aplicáveis ou se reúne as condições definidas para aceder a determinadas instalações.

Foi com este princípio que a AISP implementou um projeto no qual a plataforma de Gestão Documental está integrada com o sistema físico de controlo de acessos do cliente.

O objetivo não era apenas digitalizar a homologação dos prestadores de serviços. Era garantir que o resultado desse processo pudesse ser utilizado pelo sistema responsável pela entrada e saída de trabalhadores nas instalações.

 

O desafio

O cliente recebe trabalhadores de diferentes empresas prestadoras de serviços.

Antes de poderem aceder às instalações, essas empresas e os respetivos trabalhadores têm de cumprir um conjunto de requisitos previamente definidos.

Isto implica gerir diferentes dimensões de informação:

  • documentação das empresas;
  • documentação dos trabalhadores;
  • requisitos aplicáveis;
  • validades documentais;
  • estado de análise e homologação;
  • identificação dos trabalhadores;
  • autorização de acesso às instalações.

Se a Gestão Documental e o controlo de acessos funcionassem como processos independentes, seria necessário transmitir manualmente informação entre os dois sistemas.

Além do esforço administrativo, esta separação introduziria um risco importante: o sistema de acessos poderia não refletir imediatamente uma alteração ocorrida no estado de conformidade documental.

O projeto foi, por isso, desenhado para ligar os dois processos.

 

Uma plataforma central para a homologação documental

A plataforma de Gestão Documental funciona como o ponto central para a gestão da informação dos prestadores de serviços.

As empresas carregam a documentação necessária e os requisitos aplicáveis são analisados no processo de homologação.

A equipa de Gestão Documental da AISP acompanha o processo, analisa a documentação de acordo com os critérios definidos pelo cliente e mantém atualizado o estado de conformidade das entidades abrangidas.

A plataforma permite, assim, transformar um conjunto disperso de documentos numa informação estruturada sobre o estado de conformidade de empresas e trabalhadores.

Mas, neste projeto, essa informação não permanece apenas dentro da plataforma.

 

Da conformidade documental ao sistema de controlo de acessos

A plataforma de Gestão Documental comunica através de API com o sistema utilizado pelo cliente para controlar fisicamente as entradas e saídas das instalações.

Esta integração permite disponibilizar ao sistema de acessos a informação necessária sobre o estado aplicável ao trabalhador.

O processo passa, de forma simplificada, por quatro etapas:

1. Submissão documental
A empresa prestadora disponibiliza na plataforma a documentação necessária.

2. Análise e homologação
A documentação é analisada de acordo com os requisitos definidos para o processo.

3. Comunicação entre sistemas
O estado resultante da Gestão Documental é disponibilizado ao sistema de controlo de acessos através da integração existente.

4. Controlo de entrada
Quando o trabalhador apresenta o seu cartão no leitor instalado no acesso, o sistema dispõe da informação necessária para aplicar as regras de entrada definidas pelo cliente.

A decisão documental passa, desta forma, a integrar o processo operacional de acesso às instalações.

 

A validade documental deixa de ser apenas uma data

Uma das consequências mais importantes desta arquitetura é a possibilidade de relacionar o controlo de validades com a operação.

Um documento pode estar válido hoje e deixar de estar válido posteriormente.

Da mesma forma, o estado de conformidade de um trabalhador pode alterar-se quando um requisito deixa de estar cumprido.

Quando a informação documental está integrada com outros sistemas, estas alterações deixam de ter relevância apenas para a equipa que administra a plataforma.

Passam a poder ter uma consequência operacional de acordo com as regras estabelecidas pela organização.

É esta ligação que transforma a Gestão Documental num instrumento de controlo operacional.

 

Diferentes sistemas, um único processo

O projeto não exigiu substituir o sistema de controlo de acessos já existente.

A solução passou por integrar tecnologias com funções distintas.

A plataforma de Gestão Documental gere documentação, requisitos, análise e homologação.

O sistema de controlo de acessos continua responsável pela gestão física das entradas e saídas.

A API estabelece a interoperabilidade necessária entre ambos.

Esta arquitetura permite preservar sistemas especializados já existentes na organização e utilizar a informação documental onde ela é necessária.

É também um exemplo de como uma plataforma de Gestão Documental pode integrar-se com o ecossistema tecnológico do cliente, em vez de funcionar como uma aplicação isolada.

 

O papel da AISP

A intervenção da AISP neste tipo de projeto não se limita à disponibilização de tecnologia.

O serviço combina conhecimento de Gestão Documental e HSE com implementação, parametrização e operação da plataforma.

Neste projeto, a AISP assegura o processo de análise documental e homologação de acordo com os requisitos definidos, contribuindo para que a informação utilizada pela integração corresponda ao estado documental efetivamente apurado.

Esta componente é particularmente relevante porque uma integração tecnológica é tão fiável quanto a informação que a alimenta.

A tecnologia permite automatizar a circulação da informação. A qualidade do processo de Gestão Documental determina a qualidade dessa informação.

 

Da Gestão Documental à Gestão Documental Operacional

Este projeto demonstra uma evolução importante na utilização das plataformas de Gestão Documental.

O objetivo deixa de ser apenas:

receber → analisar → aprovar → arquivar.

Passa a existir uma cadeia mais ampla:

requisito → documento → análise → conformidade → integração → autorização operacional.

A documentação continua a ser a evidência.

Mas o seu valor está na informação que permite produzir e na capacidade de utilizar essa informação nos processos que dela dependem.

Neste caso, essa utilização acontece no controlo de acessos.

Noutros contextos, a mesma arquitetura pode suportar processos de credenciação, formação, identificação, Permit-to-Work, gestão de equipamentos ou outros sistemas operacionais.

É esta ligação entre documentação, conformidade e operação que está na base de uma abordagem de Gestão Documental Operacional.

 

Resultado

A integração permitiu criar um processo em que a homologação documental e o controlo de acessos deixam de funcionar como duas realidades separadas.

A organização passa a dispor de uma cadeia coerente entre os requisitos definidos para os prestadores de serviços, a documentação apresentada, a respetiva análise e a utilização do resultado dessa análise no processo de acesso às instalações.

Mais do que digitalizar documentos, o projeto demonstra como a informação documental pode ser integrada na operação.

Porque a Gestão Documental ganha valor quando a conformidade não fica apenas registada passa a poder ser utilizada.