Modelos de implementação de plataformas de gestão documental

A gestão eficaz de documentos é crucial para qualquer organização que procura eficiência, segurança e conformidade com os requisitos regulamentares. As plataformas de gestão documental têm evoluído significativamente, oferecendo diferentes modelos de implementação, como servidores locais, nuvem e soluções híbridas. Este artigo analisa as características, as vantagens e as desvantagens de cada abordagem, para ajudar as empresas a escolher a opção mais adequada às suas necessidades.

 

O que são plataformas de gestão documental

As plataformas de gestão documental são sistemas que permitem a criação, armazenamento, organização, recuperação e eliminação de documentos de forma digital. Estas plataformas facilitam a gestão de grandes volumes de informação, assegurando que os documentos estão seguros e acessíveis quando necessário. Além disso, com o avanço da tecnologia, as organizações podem implementar estas soluções em servidores locais, na nuvem ou através de uma combinação de ambos, formando uma solução híbrida.

 

Plataformas de gestão documental em servidores locais

Em primeiro lugar, as soluções de gestão documental em servidores locais correspondem à instalação da plataforma na infraestrutura de TI da própria empresa. Neste modelo, a organização armazena os dados e os documentos em servidores físicos sob o seu controlo total.

Vantagens

  • Controlo total: As empresas têm controlo completo sobre a infraestrutura, segurança e gestão dos dados.
  • Personalização: Maior possibilidade de personalização para responder a necessidades específicas da organização. 
  • Conformidade: Facilita o cumprimento de regulamentações que exigem que os dados sejam armazenados em locais específicos.

Desvantagens

  • Custo elevado: Requer investimento inicial significativo em hardware, software e manutenção.
  • Manutenção complexa: A responsabilidade pela manutenção e atualização dos sistemas recai totalmente sobre a empresa.
  • Escalabilidade limitada: Aumentar a capacidade pode ser dispendioso e demorado, exigindo a aquisição de novos servidores.

 

Plataformas de gestão documental na nuvem

Por outro lado, as soluções baseadas na nuvem envolvem o armazenamento e a gestão de documentos em servidores remotos, acessíveis através da internet. Este modelo tem ganho popularidade devido à sua flexibilidade e à relação custo-benefício.

Vantagens

  • Escalabilidade: Fácil de escalar conforme a empresa cresce, permitindo adicionar ou reduzir recursos conforme necessário.
  • Acesso remoto: Permite que os utilizadores acedam aos documentos a partir de qualquer lugar e a qualquer hora, desde que tenham uma ligação à internet.
  • Custo reduzido: Elimina a necessidade de investimentos pesados em infraestrutura local, funcionando com base num modelo de pagamento por utilização.

Desvantagens

  • Dependência de internet: O acesso aos documentos depende de uma ligação estável à internet.
  • Segurança e conformidade: Podem surgir preocupações com a segurança dos dados e a conformidade com regulamentações, especialmente em setores altamente regulados.
  • Menor controlo: As empresas têm menos controlo sobre o local e a forma de armazenamento dos dados, uma vez que dependem do fornecedor do serviço de nuvem.

 

Plataformas de gestão documental híbridas

Por fim, as soluções híbridas combinam os dois modelos e permitem às empresas utilizar tanto servidores locais como a nuvem na gestão documental. Assim, a organização pode guardar certos documentos localmente e gerir outros na nuvem.

 

Vantagens

  • Flexibilidade: As empresas podem escolher onde armazenar diferentes tipos de documentos, de acordo com a sua importância e sensibilidade.
  • Custo-benefício: Permite otimizar os custos, utilizando a nuvem para armazenamento escalável e servidores locais para dados críticos.
  • Continuidade de negócio: Em caso de falha na infraestrutura local, a nuvem pode servir como cópia de segurança, garantindo a continuidade das operações.

Desvantagens

  • Complexidade de gestão: A gestão de uma solução híbrida pode ser mais complexa, exigindo integração eficaz entre os sistemas locais e os serviços de nuvem.
  • Custo de implementação: Embora possa ser mais económica a longo prazo, a configuração inicial de uma solução híbrida pode ser dispendiosa.
  • Segurança e conformidade: Além disso, a necessidade de assegurar a segurança e a conformidade em dois ambientes diferentes pode aumentar a complexidade.

 

Como escolher a melhor opção para a sua empresa

Em suma, a escolha entre uma solução local, na nuvem ou híbrida depende de vários fatores, incluindo o tamanho da empresa, o orçamento, as necessidades de conformidade e os requisitos de segurança. Entre as considerações mais importantes, destacam-se:

  • Tamanho e crescimento da empresa: As pequenas empresas podem beneficiar da escalabilidade e do baixo custo das soluções na nuvem, enquanto grandes organizações com necessidades complexas podem preferir soluções locais ou híbridas.
  • Requisitos de segurança: As empresas que lidam com dados altamente sensíveis podem optar por soluções locais ou híbridas, nas quais têm maior controlo sobre a segurança.
  • Conformidade regulamentar: Verifique as exigências legais do setor. Por exemplo, algumas regulamentações podem exigir o armazenamento local de certos dados.
  • Orçamento: Avalie o orçamento disponível para implementação e manutenção. As soluções na nuvem oferecem custos iniciais mais baixos, ao passo que as soluções locais podem exigir maior investimento.

 

SaaS, nuvem privada e alojamento próprio

Dentro da nuvem existem, por sua vez, várias opções. No modelo SaaS, o fornecedor gere a aplicação, a infraestrutura e as atualizações, e a empresa limita-se a utilizar o serviço. Por outro lado, numa nuvem privada ou num alojamento dedicado, a empresa tem mais controlo sobre a configuração, mas também mais responsabilidades. Assim, para a maioria das pequenas e médias empresas, o SaaS é a opção mais simples, desde que o fornecedor dê garantias adequadas de segurança e de proteção de dados.

 

Proteção de dados e localização

Em qualquer modelo na nuvem, o fornecedor atua como subcontratante. Por isso, o RGPD exige um contrato com as cláusulas do artigo 28.º, que definem as instruções de tratamento, as medidas de segurança, os subcontratantes ulteriores e a devolução ou eliminação dos dados no fim do contrato. Além disso, convém saber onde ficam alojados os dados. Quando ficam fora do Espaço Económico Europeu, aplicam-se as regras de transferências internacionais. Por sua vez, o Regulamento Europeu dos Dados (Data Act) veio facilitar a mudança entre fornecedores de serviços na nuvem, reduzindo progressivamente os custos de saída.

 

Custo total de cada modelo

ComponenteServidor localNuvem (SaaS)
Investimento inicialElevado: servidores, licenças e instalaçãoBaixo: configuração e migração
Custos recorrentesEnergia, manutenção, cópias de segurança e equipa técnicaSubscrição
Atualizações e segurançaResponsabilidade da empresaResponsabilidade principal do fornecedor
EscalabilidadeExige novo equipamentoAjuste do plano contratado

 

Segurança e cadeia de fornecimento

A escolha do modelo também tem implicações na cibersegurança. Por um lado, num servidor local, a empresa é responsável por aplicar atualizações, monitorizar acessos e testar cópias de segurança. Por outro lado, na nuvem, essas tarefas passam em grande parte para o fornecedor, mas a empresa continua responsável pela gestão de utilizadores, pelas permissões e pela autenticação multifator. Além disso, a Diretiva NIS 2 exige às entidades abrangidas que avaliem a segurança dos seus fornecedores. Assim, convém pedir provas concretas, como certificados ISO/IEC 27001, relatórios de auditoria e planos de continuidade, antes de assinar o contrato.

Importa ainda confirmar a disponibilidade garantida no contrato, os tempos de resposta do suporte e o procedimento em caso de incidente. Dessa forma, a empresa sabe exatamente o que esperar do fornecedor.

 

Exemplo prático: Migração de um servidor local

Considere-se uma empresa com um servidor de ficheiros com dez anos e sem cópias de segurança fora das instalações. Depois de avaliar os custos e os riscos, a empresa decide migrar para uma plataforma SaaS alojada na União Europeia. Em primeiro lugar, classifica os documentos e elimina duplicados. Em seguida, migra os documentos ativos e mantém o servidor antigo apenas para consulta durante seis meses. Como resultado, reduz os custos de manutenção e passa a ter cópias de segurança geridas pelo fornecedor.

 

Lista de verificação para escolher o modelo

  • Requisitos de segurança e de conformidade identificados.
  • Custo total calculado a três ou cinco anos.
  • Localização dos dados e subcontratantes conhecidos.
  • Contrato de subcontratação RGPD assinado.
  • Plano de saída e exportação de dados definido.

 

Erros comuns a evitar

Um erro frequente é comparar apenas o preço da subscrição com o custo do servidor, esquecendo a manutenção, a energia e o tempo da equipa. Outro erro é escolher a nuvem sem verificar onde ficam os dados. Além disso, muitas empresas não preveem como recuperar os documentos se mudarem de fornecedor.

Para aprofundar: Certificação ISO 27017.

 

Perguntas frequentes

A nuvem é menos segura do que um servidor local?

Não necessariamente. Com efeito, um fornecedor certificado tem, em regra, mais recursos de segurança do que uma pequena empresa. Contudo, é preciso verificar certificações, contratos e localização dos dados.

Podemos começar na nuvem e mudar depois?

Sim, desde que o contrato garanta a exportação completa dos documentos e dos metadados num formato aberto. Por isso, convém verificar este ponto antes da assinatura.

 

Conclusão

As plataformas de gestão documental são fundamentais para a organização e a segurança da informação nas empresas. No entanto, a escolha entre servidores locais, nuvem ou soluções híbridas depende de uma análise cuidadosa das necessidades específicas da organização. Cada opção tem as suas vantagens e desafios, e a decisão certa pode melhorar significativamente a eficiência, a segurança e a conformidade da organização.

Para orientações sobre a proteção de dados pessoais, consulte a CNPD.

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